sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Um novo olhar

" Mendigo, mendicante, morador de rua ou sem-teto é o indivíduo que vive em extrema carência material, não podendo garantir a sua sobrevivência com meios próprios. Tal situação de indigência material força o indivíduo a viver na rua, perambulando de um local a outro, recebendo o adjetivo de vagabundo, ou seja, aquele que vaga, que tem uma vida errante. "

Essa era a visão que eu sempre tive de um mendigo até o dia de hoje, quando uma situação me chocou e fez pensar de modo diferente:
Estávamos uma amiga e eu, na calçada da faculdade, no bairro do Méier, por volta de meio dia quando percebi um mendigo despertar. O Rapaz, com um aspecto bem envelhecido, levantou, se esticou preguiçosamente e começou a dobrar sua roupa de cama, juntou tudo o que era seu, inclusive um pedaço de papelão, que supostamente era feito de colchão e se retirou de onde esteve dormindo... Veja bem, o rapaz não me mostrou nenhum aspecto de homem com extrema carência material, não só pela ação, mas pela forma com que ela estava sendo feita. Não que um mendigo precise ser ignorante, selvagem, nem nada disso. Mas aquela cena remeteu a mim mesma quando durmo numa casa que não é minha. No sentido de bem educado e com costume a fazê-lo.
Vivemos numa sociedade onde o crescimento da população de rua não está se dando por conta de quebra na bolsa de valores, ou com altíssima taxa de desemprego... Observei e imaginei que aquele rapaz era vítima de si mesmo, que se deixou vitimar por uma dependência química e eis o grande ponto da minha reflexão!
Por mil estímulos, os dependentes químicos procuram as ruas, que é onde mora tudo aquilo que um lar não abriga.
Famílias desestruturam-se todos os dias por conta das drogas e se esse ritmo continuar, os não dependentes estarão à margem da sociedade!
Eu, particularmente, fico arrasada quando vejo casos de jovens vivendo nas ruas! Dependência é uma doença, em todos os graus, em todos os casos e imagino o que passa um jovem, que perde a vida, quando não segue a frase ao pé da letra. Pessoas com famílias, sonhos, capacidades, vontades e tudo isso põe em risco...
Queria muito terminar aqui com uma solução, ou dica para melhoria de tudo isso, mas infelizmente eu não sei. Não culpo sociedade, não culpo os dependentes, nem as famílias, nem ninguém. Em problemas desse porte não deve haver culpado e sim curado.