O não acostumar-se ao sofrimento é falho, é feio, mas é real.
Inusitada a capacidade de não conseguir permanecer na tristeza que me pertence.
Não que eu não a queira, eu quero e preciso que essa dor doa como tem que doer,
não por ser adepta ao sofrimento, mas por entender o ritual de cura. E, não sendo ingrata, ela até machuca, mas à
prestação.
Quisera eu sofrer e esgotar minha tristeza ao fim do
sofrimento. Minha tristeza é latejante, ela ameniza, depois volta mais forte e
num segundo para de doer.
O que acontece é que meu tempo não é de tristeza. Eu sou
alegria, sou sorrisos. Vou sempre buscar o lado bom, até quando realmente não
houver e vou amenizar todo o sofrimento, ainda que superficialmente até o pranto
se encobrir com os raios da minha alegria.
Claro que tudo é superficial, mas é verdadeiro. Eu não estou
feliz, não completamente. Pra ser sincera, beirando a loucura. Mas a tristeza não
me convém, não me mantém, não me detém de sorrir.
E assim minha cura demora a chegar, pois meu sofrimento é inconstante.
Não se fixa em enfermaria nenhuma, não toma remédios, nem fica de repouso. Ele
corre na chuva, toma sorvete no frio e anda descalço no chão gelado. Ele goza
de ser triste e em algum instante da tarde, senta pra chorar.
No fim permaneço com o sorriso amargo, achando graça dessa
dor que um dia ainda pode me fazer louca.