segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Tristeza em crediário


O não acostumar-se ao sofrimento é falho, é feio, mas é real. Inusitada a capacidade de não conseguir permanecer na tristeza que me pertence. Não que eu não a queira, eu quero e preciso que essa dor doa como tem que doer, não por ser adepta ao sofrimento, mas por entender o ritual de cura.  E, não sendo ingrata, ela até machuca, mas à prestação.  
Quisera eu sofrer e esgotar minha tristeza ao fim do sofrimento. Minha tristeza é latejante, ela ameniza, depois volta mais forte e num segundo para de doer.
O que acontece é que meu tempo não é de tristeza. Eu sou alegria, sou sorrisos. Vou sempre buscar o lado bom, até quando realmente não houver e vou amenizar todo o sofrimento, ainda que superficialmente até o pranto se encobrir com os raios da minha alegria.
Claro que tudo é superficial, mas é verdadeiro. Eu não estou feliz, não completamente. Pra ser sincera, beirando a loucura. Mas a tristeza não me convém, não me mantém, não me detém de sorrir.
E assim minha cura demora a chegar, pois meu sofrimento é inconstante. Não se fixa em enfermaria nenhuma, não toma remédios, nem fica de repouso. Ele corre na chuva, toma sorvete no frio e anda descalço no chão gelado. Ele goza de ser triste e em algum instante da tarde, senta pra chorar.
No fim permaneço com o sorriso amargo, achando graça dessa dor que um dia ainda pode me fazer louca.

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