terça-feira, 27 de agosto de 2013

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Tenho em mim mil frases, dez mil palavras e nenhuma me diz você. Nem ao menos uma parte. Isso porque você não me diz nada, não me mostra nada, apenas me observa. Imagino o que você vê, sem muita ideia do que pensa. Não acredito que tua boca viva em comunhão com teu longo pensar. Você pensa demais e fala de menos. E eu, que tanto penso, quando falo, emudeço ao seu lado e paro de supor. Ali sou só espírito, solto à matéria, avulso ao concreto, ao real. Ali sou sua presença quieta, quase sem respirar. Ali sou teu espelho. / A nossa comunicação, sem ruídos, é física. Ao seu lado, te esbarro. Você não se afasta, corresponde ao meu toque. Nossas mãos se procuram, mas como o caminho é desconhecido, elas nunca se acham, mas vibram. Teu pulso também vibra ao som do tambor que em mim habita. É uma espécie de contratempo, descompassado, que deixa a harmonia mais viva. / Te analiso, entro em sua alma por seu olhos e nada encontro. Retorno ao meu lugar. Quando desisto de te achar, você me aparece, do nada, sem mala, sem rota e curioso do meu caminho. Se te chamo a caminhar, você para. Que inferno! Não sei se vou, ou se fico. Decido ficar. Três dias e nem mais uma hora! Desisto em menos tempo e vou embora. Te odeio pro resto da vida! Mentira, você me ama. Me ama longe de você. Ama o que eu sou, mas odeia tudo em mim. Será isso mesmo? Eu sim te amo. Que pena! A vida é bela, eu perco ela porque você ainda está decidindo que não vem comigo, mas me acompanha mesmo assim. Afirma em cada passo que comigo não vai, mas fica ao meu lado, atrás de uma chance de dizer que parará pelo caminho e quer que eu siga só. Sigo só, mas tu vens comigo, agora em meu coração, empacotado, mas intacto. Espero um dia ter a capacidade de te deixar de vez.

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