quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Quinze pra meia noite

Depois de beber várias taças de qualquer coisa, trocar ideia com metade da festa e ensaiar alguns passos de dança, ela olha o relógio e resolve se retirar. Costume antigo de sua família, tirar uns minutos da noite pra fazer reflexão. Ela, desde menina, preferia os quinze minutos antes da meia noite, pra nao dar tempo de cometer mais erros e porque era o fim do fim pro começo do começo. Meio distante de orações, sentindo-se "cara de pau", ela começa sua oração:

"- Então, Deus, obrigada por mais um ano. Aliás, obrigada mesmo, porque se eu consegui chegar aqui hoje é por culpa sua e você bem sabe porque... Que ano, Deus! Que ano! Passei no vestibular, pois é... Só você mesmo sabe como. Primeiro agradecimento do ano! Conheci o amor da minha vida, aquele homem que sonhei passar o resto dos meus dias. Ele era todo feito por você, numa forma única, era divino! Segundo agradecimento do ano! Resolvi meus problemas com meus irmãos, nós crescemos, nos unimos. Apesar de que nem sempre estamos em comunhão, mas o seu amor nos fez um só! Terceiro agradecimento do ano! Fiz novos amigos, conheci pessoas maravilhosas, Deus! Nossa, que alegria em compartilhar minha vida com mais pessoas enviadas por você. Obrigada, mais uma vez! Descobri que o amor da minha vida era um amor mesmo, mas não da minha vida e você tratou de me mostrar isso! Obrigada por abrir meus olhos, Senhor! Sofri muito com doenças de pessoas queridas minhas, internações, suspeitas, tensões, brigas e tudo isso você resolveu, tudo isso passou graças ao seu amor. Obrigada, Pai! Achei esmaltes lindos, dei cortes sensacionais no meu cabelo, rescontituí minha autoestima, apesar de caídas constantes e tudo isso porque você estava comigo! Sabe, nesses minutos que me restam eu não vou pedir nada, eu errei demais, aprendi com muita coisa, apanhei com muita coisa que esqueci de aprender e hoje eu tô aqui, feliz por saber ver seu amor através de coisas que eu nem sabia que podiam ser boas. Que esse ano seja mais um filtro na minha vida, uma peneira e que tudo o que não puder ser aproveitado para o próximo fique nesse ano, nesse filtro... Ano que vem eu quero vida nova, quero amar mais, quero ser mais paciente, mais humana, mais amiga, mais filha, mais irmã, mais santa, menos egoísta, menos ciumenta, menos arrogante, menos curiosa, menos teimosa, menos ausente pra você. Que venha um ano repleto de paz, não só na minha vida, como no mundo, mais respeito, mais amizade, mais amor, mais fé, mais você!
Obrigada, Deus, obrigada por todo o seu amor, por todo o aprendizado, por toda a força que me deu e que sei que continuará dando. Eu te amo."

E sabe, essa oração, essa conversa foi muito mais sincera e muito diferente do que ela achava que seria. No final de um ano que não foi fácil, ela só conseguiu agradecer, porque sentia uma proteção, porque sentia que era amada, que era especial e que não precisava reclamar e nem pedir nada: os desejos e angústias do coração dela, eram parte de um mapa escrito nas mãos de Deus.

Feliz Ano Novo!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Rio de Janeiro, 6 de dezembro de 2010

Tenho em você minha proteção, e sou feliz por saber que faz parte de mim, mas preciso te dizer que as vezes você me sufoca, não me deixa ser tão livre!
Tu, que cortas quem a mim quer possuir, tu que feres todo aquele que minha beleza quer tomar. Seja assim menos indesejável, já que de mim não há interesse em te ter por longe.
Só te peço que não seja tão maldoso com os enamorados que me vem, pois se se arriscam por mim, me merecem levar.
Me conserva tão intacta ao máximo que devo ser e não se zangue quando for minha hora de ser colhida, eu preciso perfumar outros ares, eu preciso ser dedicada, tão cuidada e lembrada por pessoas diferentes.
Saiba que quando o tempo me fizer murchar e minhas cores forem se perdendo pelo caminho, eu, sua bela rosa, estarei lembrando, saudosa, do meu fiel e nobre espinho.

O espinho da rosa.

Pra que é que serve uma canção como essa?

Se fosse simples, eu te diria
De onde é que vem toda essa poesia;
O cabelo preso meio de lado, o botão da blusa arrebentado
O calor que esquenta, mas não queima
A canção que toca e ainda não teima
Esse surto de palavras surdas, frases tão imensas e idéias curtas.
Se eu soubesse, meu bem, te contaria
Como é que surge a sintonia;
O lápis que batuca no caderno, esse amor de letra, quase fraterno
A fotografia presa na parede, teu olhar que o sol faz ver mais verde.
Inquietação que às vezes assombra dá lugar a paz que a porta arromba.
E eu que sou apenas instrumento,
Empresto minha mão prum sentimento se fazer presente em canção,
Que precisa tanto se mostrar, pra fazer sua voz ecoar longe e atingir o seu amado coração.