quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Uma carta ao meu poeta

Quisera eu fazer com todos os meus poetas o que faço contigo agora: descrever meus sentimentos e percepções por cada verso escrito para mim, tão meus. O que mais é a poesia do que o autoconhecimento, autoreflexão? Por isso os digo meus. Neles me encontro, ainda que nem sempre me veja descrita por palavras tão bem encaixadas. Esse jogo de quebra cabeça que me encanta nas palavras: soltas podem não significar nada, mas bem relacionadas percorrem mundos de sentidos e sentimentos.


Expectativa não me faltou para ler seu livro.

Que poesia doce tem você, por hora apimentada, por hora empolgante e no constante reflexiva. Te disse, ainda lendo as primeiras páginas, que corria um risco, sendo passageira do seu barco, remando contigo pelas suas águas, ou largando o remo e deixando o vento soprar a direção que sua palavra indicava. O primeiro risco: trazer sua poesia pra dentro de mim e me sentir debaixo de uma árvore, de frente para o mar, sendo soprada pelo vento da inspiração, tal como te imagino em certos poemas. O outro risco: reviver sensações somente minhas e me perder na confusão dos meus sabores e dissabores. Tive um pouco de cada e o que completou foi o maior orgulho de saber que aquilo tudo vinha de você.

Musa absurda, porque absurda é a sutileza de quem a descreve. Eu me fiz musa e admirei todas as que eu não consegui ser. Também cantei, também fiz prece, também senti saudade.

Agora começo a reler sua poesia, com o tempo necessário para percebê-la tal qual obra de arte, sem a pressa de encontrar mais e mais prazer em ler. Todo poema é lindo, é sublime, é gostoso de ler. Parei de grifar os que mais gostei, porque o livro todo seria marcado. Quero que outros o leiam e vejam seu próprio eu, impresso em papel offset 75g/m².

Você brinca, dizendo que eu nunca te elogiei, e agora to aqui rasgando seda, não só porque me encanto com o poeta que há em você, mas pela sua poesia contagiante.

Ganhei um livro-amigo, companhia pra minha solidão, que me despertou uma vontade imensa de ser poesia e fazer poesia. Eu estava precisando acordar o eu lírico reprimido no meu peito por tanta pressa sem necessidade e tanta vergonha em não ser produtivo. O produto é viajar por dentro de mim mesma e buscar resposta para perguntas que faço por aí.

Estou muito feliz por ler você.

“Agora minha nave segue a Musa que rege os mares, rios e horizontes”

Beijo.

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