sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Menos você

Queria poder dizer que entendo suas entrelinhas, que vejo através de seus olhos e que posso sentir seu coração acelerar aqui de longe. Queria poder retribuir essa aflição de forma clara, te abraçar bem forte mais uma vez e não soltar. Não tão rápido, não te perdendo.

Queria poder ouvir mais uma vez esse seu sorriso bobo, que tenho gravado em minha cabeça e que alegra pensar. Preciso do seu tom grave real, aquele de locutor de rádio, de quem anuncia promoção no supermercado, de dublador de filme. Hoje acordei querendo cantarolar pra você umas músicas bregas que tenho relembrado nos últimos dias. Daquele tipo que a gente gosta e morre de rir. Nessas canções o amor nunca rima com a dor, ou com você longe dos meus caminhos. Eu sei que a vida tem planos múltiplos que são maiores e até melhores que os nossos, mas a gente vive no tempo de agora, nesse instante que já virou passado. E tudo corre nesse tempo, tudo voa, tudo passa. Menos você.

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