segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

O mar dos olhos

Um sorriso tão gostoso com covinhas de criança. Um riso frouxo, bobo, extenso, interminável. Um dom pra deboche que acredito ser hereditário e que diverte. Senso de humor com presença aguda. O menino com olhos de mar me encantou demais. Não faço ideia do momento em que comecei a desejar que meu sorriso se juntasse ao dele e faço menos ideia ainda do porquê. Sei que minha vida se encheu de um colorido que firmou a aquarela que já havia em mim. Somou uma, duas e três vezes. Acabei por querer que essa soma se prolongue por todo o tempo que houver. 

Menino com olhos de mar, engraçado seu riso ser tão frouxo quanto seu choro. E chora, sem vergonha, sem medo, sem controle. Simplesmente se lava. Gosto da sinceridade que habita em suas ações. Mais que gosto, eu amo. Gosto de admirar seus olhos e adentrá-los. 

A primeira vez que o olhei com profundidade tive receio. Aquele mundo novo a explorar e a surpresa de ter que fazê-lo naquele momento tal como o mar que se mostra novo e misterioso a cada vez que olhamos. Podemos morar em frente a ele, mas todo dia nasce uma sensação nova até criarmos intimidade. Depois da intimidade com o mar a gente se joga com mais prazer do que medo. Minha intimidade com o mar dos olhos do menino se deu aos poucos, talvez pela falta de luz do quarto, pela lente dos óculos e pela curiosidade de viver algo novo.

Quando finalmente consegui enfrentar seus olhos, eles estavam cheios e brilhavam mais que nunca. Ele chorava, disfarçadamente. Achei curioso saber que seu choro fluía com a mesma sinceridade de um sorriso. O amei com intensidade, desejando dar colo para que o choro inundasse a mim, feito seu sorriso.  

O menino com olhos de mar e sorriso de criança sabe ser e é. Ele rouba grande parte do meu pensamento e me inspira. Ele é de verdade e é sincero, simples. Ele é gigante e mora na alma de um menino. Ele é a promessa de um futuro cheio de alegrias.

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