Um sorriso tão gostoso com
covinhas de criança. Um riso frouxo, bobo, extenso, interminável. Um dom pra
deboche que acredito ser hereditário e que diverte. Senso de humor com presença
aguda. O menino com olhos de mar me encantou demais. Não faço ideia do momento
em que comecei a desejar que meu sorriso se juntasse ao dele e faço menos
ideia ainda do porquê. Sei que minha vida se encheu de um colorido que firmou a
aquarela que já havia em mim. Somou uma, duas e três vezes. Acabei por querer
que essa soma se prolongue por todo o tempo que houver.
Menino com olhos de mar, engraçado
seu riso ser tão frouxo quanto seu choro. E chora, sem vergonha, sem medo, sem
controle. Simplesmente se lava. Gosto da sinceridade que habita em suas ações. Mais que gosto, eu amo. Gosto de admirar seus olhos e adentrá-los.
A primeira vez que o olhei com
profundidade tive receio. Aquele mundo novo a explorar e a surpresa de ter que
fazê-lo naquele momento tal como o mar que se mostra novo e misterioso a cada
vez que olhamos. Podemos morar em frente a ele, mas todo dia nasce uma sensação
nova até criarmos intimidade. Depois da intimidade com o mar a gente se joga
com mais prazer do que medo. Minha intimidade com o mar dos olhos do menino se
deu aos poucos, talvez pela falta de luz do quarto, pela lente dos óculos e pela
curiosidade de viver algo novo.
Quando finalmente consegui
enfrentar seus olhos, eles estavam cheios e brilhavam mais que nunca. Ele
chorava, disfarçadamente. Achei curioso saber que seu choro fluía com a mesma
sinceridade de um sorriso. O amei com intensidade, desejando dar colo para que
o choro inundasse a mim, feito seu sorriso.
O menino com olhos de mar e
sorriso de criança sabe ser e é. Ele rouba grande parte do meu pensamento e me
inspira. Ele é de verdade e é sincero, simples. Ele é gigante e mora na alma de um menino. Ele é a promessa de um futuro
cheio de alegrias.
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